terça-feira, 4 de novembro de 2008

Suicídio e Espiritismo

Existem poucas pesquisas e obras acerca do suicídio. Tanto é que até hoje quando buscam se referir a ele ainda recorrem a obra de Durkheim ("O Suicídio"). Embora defasada e já datada esta obra apresenta alguns pontos ainda relevantes, como o fato de demonstrar mediante dados de pesquisa que o suicídio não decorre simplesmente de um ato puramente subjetivo, mas que também apresenta variáveis objetivas e sociais para sua efetivação. Durkheim demonstrou que em épocas de anomia social há um número maior de suicídios, buscando demonstrar que quando há falta de coesão social, com regras e condutas claras para os comportamentos, existe um processo de crise mais elevado nos indivíduos. Observando estas teses sob o olhar da complexidade levantam-se uma série maior de variáveis mas, infelizmente, o suicídio pouco foi estudado no século XX.
As obras espíritas costumam abordar insistentemente o tema do suicídio, o que gera uma contradição: se o Espiritismo se apoia na ciência e a ciência pouco estudou o suicídio, qual a autoridade dos espíritas em falar sobre ele? Nenhuma. Este é o grande problema. Os espíritas fazem alguns recortes descontextualizados de alguns trechos da obra de Kardec, se apoiam em pseudo-romances e saem por aí criticando e condenando veementemente o suicída.
O suicídio é errado? Evidente que sim! Negar uma oportunidade de crescimento e aprendizado, simplesmente desisitindo de tudo é um erro. Mas buscar combatê-lo criando o medo das suas consequências é mais cruel ainda (qualquer analogia do chamado "Vale dos Suicídas" com o inferno não é mera coincidência). Fustigar alguém que já sofre muito com táticas terroristas é um crime talvez maior que o próprio suicídio. Todos tem impresso em si o desejo pela vida, de forma que muitos suicídas em potencial falham nas suas tentativas de morrer. O que leva a pensar que para uma pessoa consumar este ato, deve estar sofrendo muito. E se há também causas sociais que concorrem para o suicídio é responsabilidade de todos a sua diminuição. E é também responsabilidade do Espiritismo, não criando obras caricatas e assustadoras, mas criando textos que enalteçam a vida, sua plenitude e forneça recursos para que cada indivíduo consiga superar suas dificuldades.
Imagine uma mãe que já perdeu um filho por suicídio ainda ter de ler um livro supostamente espírita narrando todas as agruras pela qual ele deve passar. Isso não é humano. A proposta espírita é resignificar o sentido de vida das pessoas, demonstrando através de um discurso coerente a importância de estarmos encarnados, além da importância da dor para o nosso próprio crescimento.

3 comentários:

Gabriel disse...

Nós como espíritas temos uma maior compreensão do processo reencarnatório e por mais que estejamos passando por problemas difíceis nunca nos vem a cabeça a idéia do suicidio, acho q justamente por esse entendimento. Se estamos aqui sofrendo é pq temos q passar por determinadas sitauçoes e supera-las, mas concordo com vc que é preciso de estudar mais sobre o suicidio dentro da ciência para consequentemente favorecer um estudo a respeito dentro da doutrina espírita.

Abraço, continue escrevendo.

José Antonio disse...

Concordo com o Irmão, principalmente no tocante a responsabilidade do social. Antes de fazermos crítica a um suicida deveriamos fazer reflexão sobre nossas próprias atitudes e, no maior das vezes, veriamos o quanto falhamos e quantas vezes nos passou pelo pensamento cometer tal ato. Quanto a nós, espíritas, deveriamos saber do valor de uma encarnação, esta oportunidade que o Creador nos dá para crescer. Porém muitos de nós sequer atenta para o conteúdo mínimo do currículo espírita e se lança a criticar a tudo e a todos como se fossemos perfeitos. Parabéns pela abordagem. Abraço fraterno, José Antonio.

Mel Gama disse...

Olá!
Vim através da revista Ser Espírita.
Inicialmente parabenizando, gostaria de deixar meu sentimento sobre o suicídio:- Minha mãezinha descansou, depois de 5 anos de sofrimento. Vivemos durante os 46 anos da minha vida juntas. Esta separação tem sido, muitas vezs, insuportável para mim e sinto uma saudade "latejante" e, invariavelmente eu choro, mesmo sabendo que estou fazendo mal à ela. É incontrolável, infelizmente. E tb, muitas vezes já pensei que seria melhor perder a vida para poder estar com ela - óbvio que, tendo algum conhecimento espírita, eu não cometeria este ato de loucura, mas confesso que já pedi a Deus para abreviar minha passagem nesta vida a fim de que eu possa reencontrar minha mãezinha. Gostaria que este sentimento de dor e impotência me deixassem seguir um pouco mais. Entretanto, parece ser incontrolável.
Fique com Deus
Mel